Redes de Cooperação de Pequenas e Médias Empresas: Os Fatores Competitivos Aplicados Em Uma Rede de Supermercados

Autoria: Lindenberg Araujo Aragão, Charlie Lopes, Maiso Dias

O acelerado crescimento e a alta concentração do setor supermercadista brasileiro vêm determinando um alto nível de competitividade. Para sobreviver e fazer frente aos grandes varejistas, as pequenas e médias empresas (PME) têm recorrido à formação de redes de cooperação. Esta pesquisa teve como objetivo identificar na rede de supermercados Super Rede a ocorrência dos fatores competitivos observados por Verschoore e Balestrin (2006). O referencial analítico é constituído pelas contribuições teóricas acerca de cinco fatores competitivos: 1) Ganhos de escala e poder de mercado; 2) Provisão de soluções; 3) Aprendizagem e inovação; 4) Redução de custos e riscos e 5) Relações sociais. Trata-se de um estudo de caso com enfoque qualitativo. As evidências empíricas foram coletadas por meio de entrevista semiestruturada aplicada junto a seis empresários e um executivo das empresas associadas. Os resultados encontrados revelam que a configuração organizacional em rede gera significativos benefícios para os associados, seja na economia de escala, seja por meio do poder de barganha; facilita a resolução de problemas enfrentados pelas empresas; viabiliza uma efetiva aprendizagem coletiva; promove a capacitação dos associados, sendo a informação a principal promotora do aprendizado. Os resultados indicam ainda que a confiança mútua acumulada ao longo do tempo reflete positivamente na redução dos custos de transação, e que a rede possui três mecanismos sociais de controle, a saber: coordenação, conselho e estatuto social.

Introdução

As transformações decorrentes da globalização ocorrida durante a década de 90 estabeleceram um acelerado processo de internacionalização da produção, da distribuição e da administração de bens e serviços, provocando o acirramento da concorrência em âmbito mundial. Nesse contexto, as organizações precisam de permanente aperfeiçoamento e novas capacitações, de modo a serem capazes de acompanhar as mudanças exigidas pelo mercado, como forma de garantir sua sobrevivência.
Atentos às assimetrias do comércio internacional e na luta pela sobrevivência em razão do processo da globalização, grandes grupos empresariais estrangeiros descerraram fronteiras e migraram para países em desenvolvimento, na maioria dos casos, em consequência da saturação em seus mercados de origem. Em países emergentes teriam grandes chances de conquistar um vasto mercado, ainda por explorar e com boas possibilidades de crescimento. Para tanto, as estratégias das empresas estrangeiras são diversificadas. Entre as mais utilizadas, destacam-se fusões, aquisições, alianças e formação de joint-ventures.
No setor supermercadista, essas estratégias, se por um lado possibilitam a conquista de maiores fatias de mercado, ampliando as chances de sucesso, por outro, provocam alta concentração e elevada concorrência, levando à exploração de novos segmentos de mercado, em particular localizados em áreas periféricas, tradicionalmente operacionalizadas por pequenas e médias empresas (SAAB; GIMENEZ; RIBEIRO, 2000). Como esses movimentos impactaram fortemente nas PMEs, de maneira que, devido a limitações de ordem financeira, técnico-organizacional e gerencial, a alternativa adotada tem sido a formação de redes de cooperação.

A cooperação empresarial vem se verificando com sucesso desde os anos 70, como no caso da Terceira Itália (CASAROTTO FILHO, 2001; PUTNAM, 2000), das redes de empresa no Japão, Coréia do Sul e Taiwan (AMATO NETO, 2000), das redes empresariais flexíveis na Dinamarca, em 1989 (LIPNACK; STAMPS, 1994), e, mais recentemente, do bem- sucedido programa de redes de cooperação no Rio Grande do Sul (VERSCHOORE, 2004).
As redes de cooperação constituem importante mecanismo de sobrevivência das PMEs no enfrentamento da concorrência das grandes empresas, pois é recorrente na literatura especializada a associação de ações integradas de empresas desse segmento aos benefícios e à solução de problemas que dificilmente seriam resolvidos de forma individualizada. Diante dessa realidade, torna-se necessária uma maior compreensão sobre as redes interorganizacionais, que têm promovido o desenvolvimento da cooperação empresarial, bem como a identificação dos fatores que contribuem para o aumento da competitividade das empresas integrantes dessas redes.
Este estudo teve como objetivo identificar, em uma rede de supermercados, a Super Rede, a ocorrência dos cinco fatores competitivos observados por Verschoore e Balestrin (2006): 1) ganhos de escala e de poder de mercado; 2) provisão de soluções; 3) aprendizagem e inovação; 4) redução de custos e riscos; e 5) relações sociais.
Além desta parte introdutória, o artigo traz o referencial teórico, distribuído nas seções 1,2 e 3; a metodologia adotada na pesquisa, explicada na seção 4; os principais resultados da pesquisa, na seção 5; e no último tópico, a conclusão, limitações e sugestões.

Veja o artigo científico completo:
Redes de Cooperação – Caso Super Rede – 3Es

Saiba mais sobre o autor

Consultor Organizacional; Professor de Administração da Faculdade 7 de Setembro e Coordenador do curso de Pós-graduação da FA7; Atuei como Executivo de Vendas por 05 Anos no Grupo Bompreço Supermercados S/A – Wal-Mart e por 09 anos como Consultor, Instrutor, Diretor de Marketing, Diretor Executivo da Revista Crescimento Empresarial da Gomes de Matos Consultores Associados e autor do livro " Sustentabilidade das Organizações Sem Fins Lucrativos" no intuito de se fazer perpetuar as organizações sem fins lucrativos, e autor de vários artigos acadêmicos no EnANPAD.

Nenhum Comentário

Faça o seu comentário


  • Facebook
  • Twitter