Sustentabilidade na Gestão de Organizações do Terceiro Setor – Um Estudo dos Empreendimentos Sociais Apoiados pela Ashoka

Autoria: Maiso Dias Alves Júnior, Raimundo Eduardo S. Fontenele, Maria Vilma C. Moreira Faria

Devido à transformação da sociedade atual, imersa em problemas sociais e desigualdades diversas, a sociedade civil, representada pelas organizações do Terceiro Setor, tem como grande desafio apoiar o governo e a iniciativa privada, no sentido de estimular práticas sociais empreendedoras e humanitárias. O objetivo desta pesquisa é avaliar a gestão dos empreendimentos sociais apoiados pela Ashoka no Ceará, ONG americana que apóia ações de sustentabilidade do Terceiro Setor, considerando o triple bottom line como um conjunto de indicadores nas três dimensões: econômica, social e ambiental. O estudo caracterizou-se por uma pesquisa exploratória, de natureza qualitativa, que utilizou entrevistas, apoiadas em dois roteiros semi-estruturados. Como instrumental para a interpretação das entrevistas, utilizou-se a análise de conteúdo e o software Atlas Ti como organizador destes dados. O estudo conclui que a dimensão econômica (Captação de Recursos Financeiros) atende apenas parcialmente aos requisitos de sustentabilidade, enquanto que a dimensão social (Interação com a Sociedade) atende plenamente ao imperativo da sustentabilidade. A dimensão ambiental (Meio Ambiente), no entanto não preencheu os requisitos necessários para ser sustentável na gestão das ONGs pesquisadas.

Introdução

As organizações do chamado Terceiro Setor, que têm como objetivo atuar em áreas de responsabilidade governamental, como saúde, educação, meio-ambiente, habitação e alimentação, começam a ser reconhecidas como uma “alternativa” no combate aos problemas sociais.
No caso brasileiro, são raras e de difícil generalização as informações sobre a criação de empreendimentos com fins sociais, ou seja, sobre a atividade empreendedora para promover a mudança social. Segundo Melo Neto e Froes (2002), nesse novo contexto, surge um novo paradigma, ou seja, uma maneira diferente de pensar a comunidade e o seu desenvolvimento social, econômico, político, cultural, ético e ambiental. O empreendedorismo social é, portanto, uma nova forma de pensar a comunidade
Na visão de Schindler e Naigeborin (2004), “o protagonismo dos empreendedores sociais é capaz de produzir desenvolvimento sustentado, qualidade de vida e mudanças de paradigmas”. São ações sociais que beneficiam comunidades menos privilegiadas, oferecendo oportunidades concretas de transformação de setores tradicionalmente excluídos das principais agendas nacionais.
1De acordo com Melo Neto e Brennand (2004), a gestão passou a fazer parte dos negócios das organizações sem fins lucrativos, tornando mais efetivas as ações voltadas para garantir sua sustentabilidade. Segundo os autores, a sustentabilidade implica a integração dos aspectos financeiros, sociais e ambientais, sendo pré-requisito essencial para a sobrevivência e sucesso do negócio.
Para que as organizações do Terceiro Setor realizem o seu potencial, seja pela reflexão quanto ao propósito da organização, seja pela análise do ambiente e de suas possibilidades, seja ainda pela construção de uma visão de futuro que possa mobilizar recursos, pela clareza dos seus objetivos ou pelo alinhamento e integração das ações desenvolvidas na busca da sustentabilidade, Queiroz (2004) recomenda que a execução dessas atividades se dê mediante implementação de ferramentas de gestão e controle.
Para mobilizar recursos, estabelecer parcerias, propor novos projetos, imprimir uma dinâmica capaz de atender às demandas dos seus stakeholders, ter autonomia na geração de receitas e preservar o meio-ambiente, tais organizações articulam ações que viabilizam esses caminhos, principalmente para garantir a efetividade dos processos e a sustentabilidade. Este estudo tem como objetivo avaliar as ações sustentáveis dos empreendimentos sociais localizados no Estado do Ceará, apoiados pela Ashoka, ONG americana que apóia empreendimentos sociais em diversos países do mundo, no tocante às dimensões econômica, social e ambiental, caracterizado nestas três esferas o triple bottom line, conceito desenvolvido pela consultoria inglesa Sustainability, que se refere a um conjunto de indicadores utilizado para a avaliação do desempenho econômico das organizações e das suas ações de responsabilidade social e ambiental. Trata-se da principal ferramenta do índice de sustentabilidade empresarial (ISE) da Bovespa
Justificada a importância das técnicas de gestão para os empreendimentos sociais, este estudo procurou ainda elucidar o seguinte questionamento: Como as ações sustentáveis, com base nas dimensões econômica, social e ambiental das ONG’s estudadas contribuem para o seu desenvolvimento e impacto social na comunidade?
A pesquisa teve um enfoque qualitativo na análise e coleta de dados. Constituem sujeitos da pesquisa os empreendedores sociais do Ceará apoiados pela Ashoka. Foram pesquisados doze empreendedores sociais, sendo nove em Fortaleza, um no Crato, a 800 km de Fortaleza, um em Quixeramobim e um no litoral leste do Estado do Ceará – Prainha do Canto Verde, a 120 km de Fortaleza, Ceará.
A seguir, será apresentada uma breve discussão sobre o terceiro setor, sustentabilidade e empreendedorismo social.

Veja o artigo científico completo:
Engema – 2008

Saiba mais sobre o autor

Consultor Organizacional; Professor de Administração da Faculdade 7 de Setembro e Coordenador do curso de Pós-graduação da FA7; Atuei como Executivo de Vendas por 05 Anos no Grupo Bompreço Supermercados S/A – Wal-Mart e por 09 anos como Consultor, Instrutor, Diretor de Marketing, Diretor Executivo da Revista Crescimento Empresarial da Gomes de Matos Consultores Associados e autor do livro " Sustentabilidade das Organizações Sem Fins Lucrativos" no intuito de se fazer perpetuar as organizações sem fins lucrativos, e autor de vários artigos acadêmicos no EnANPAD.

2 Comentários

  1. Eldiane disse:

    Gostei muito do artigo, pois é uma área em estoy aospoucos me aprofundado e tenho interesse maior a cada monento em que vou conhecendo mais sobre ela. Hoje curso Faculdade de ciências contábés e estou justamente falando sobre o terceiro setor em minha monografia, como é realizada as captações de recuros financeiros e como estes seu administrados em uma determinada organização. E por ler alguns trechos de seu livro comecei a entender melhor sobre o assunto, e qua na qual seu artigo é apresentado nele. Ver a interação da sociedade a este fato torna-se importante para seu proprio desenvolvimento sustentável. Que possas êxitos sempre em sua obras, parabéns.

  2. Maiso Dias disse:

    OLá, pra mim, foi surpresa receber seu comentário, pois não atualizo o blog faz tempo, inclusive está nos meus planos ainda este ano deixar atualizado para poder interagir melhor com os leitores e amigos!!!
    Boa Sorte na sua Monografia!!
    Valeu
    Abraços
    Maiso

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